Relações com Investidores

Tão logo chegou ao Brasil, Herman Theodor Lundgren percebeu que a economia do país parecia estar adotando um ritmo de crescimento razoável, em especial no tocante ao comércio exterior. Havia forte demanda por serviços ligados à exportação, desembaraço de cargas, despacho de documentação, fornecimentos de toda ordem para os navios. Decidiu trabalhar nessa área até que reunisse capital suficiente para ele próprio produzir, vender e exportar.

No Rio de Janeiro, a capital do Império, esses tipos de serviço já estavam dominados por gerações de profissionais que operavam em torno do porto. Herman foi pesquisar o terreno no porto de Salvador, mas também não se convenceu. Seguiu então mais para o norte, até Recife, onde logo viu que a concorrência era pouca e as necessidades, prementes. Decidiu estabelecer escritório no Cais da Lingueta e juntou a força de vontade a seus conhecimentos dos idiomas inglês e alemão para prestar serviços a comerciantes estrangeiros com negócios naquele porto. Foi muito bem-sucedido.

De fato, bastaram dez anos de trabalho duro para que Herman Lundgren instalasse o seu primeiro empreendimento industrial no país, a Sociedade Anônyma Pernambuco Powder Factory, fabricante da renomada pólvora Elephante.

O fim da guerra do Paraguai, em 1870, coincidiu com uma prova inconteste das reais intenções de Herman. Em definitivo, ele adotou o país que escolheu para viver: decidiu naturalizar-se e obteve a cidadania brasileira.

Quatro anos depois, Herman conheceu Ana Elisabeth Stozenwald, então preceptora dos filhos de um comerciante recifense, e com ela casou-se em 1876. Tiveram cinco filhos: Herman, Frederico João, Guilherme Alberto, Arthur e Ana Louise.

Nos primeiros anos do século XX, com os filhos já participando dos negócios paternos, a meio caminho de uma ampliação do negócio da pólvora, Herman Lundgren decide redirecionar o seu foco empresarial. Foi quando resolveu entrar no ramo têxtil. Capitalizado, não teve dificuldades em adquirir o controle de uma pequena fábrica de tecidos localizada no então distrito de Paulista, município de Olinda, próximo a Recife. Modernizou e ampliou a fábrica, comprou maquinário de ponta, cuidou de qualificar a sua mão de obra.

Entrava em plena operação a Companhia de Tecidos Paulista, destinada a marcar época na produção e na distribuição de tecidos de qualidade para um amplo leque de públicos em todos os cantos do país.

A grande expansão que se seguiu não foi testemunhada por Herman Theodor Lundgren, o fundador, que faleceu em fevereiro de 1907. Ele gostaria de saber que sua indústria, anos depois, chegou a empregar 25 mil funcionários, na fábrica e fora delas; e que era voz corrente no sertão nordestino que “em Paulista tem chafariz de leite e barreira de cuscuz”. 

Era um empreendimento modelo. Em Paulista, além da fábrica, havia gente plantando eucalipto para alimentar as caldeiras, outros tantos criavam gado e cavalos puro-sangue para corridas, todos contavam com ótima infraestrutura urbana, a água era limpa, os moradores tinham acesso à educação e à assistência médica universal. Herman Lundgren deixou sua marca.

Com o propósito de dar vazão à produção crescente de tecidos da Companhia de Tecidos Paulista, os filhos de Herman Lundgren decidiram também ingressar no setor varejista. 

Em 1908 foi aberta a primeira loja, sob o nome de Lojas Paulista, denominação esta que foi dada às lojas inauguradas em Pernambuco e, posteriormente, em outras partes da Região Nordeste, em referência à localidade onde estava situada a fábrica de tecidos.

Com o êxito do negócio no varejo, Arthur Lundgren e a mãe, Ana Elisabeth, constituíram uma sociedade específica para a rede de lojas que vendiam os produtos produzidos pela indústria tocada pelos Lundgren. A nova empresa ganhou o nome de Arthur Herman Lundgren & Cia. Já na década de 1910, com a expansão para o Sul-Sudeste, a rede de lojas passou a ser identificada pelo nome que se popularizou por todo o Brasil: Casas Pernambucanas. Foi a primeira das reorganizações societárias de um negócio que então já se revelava um sucesso absoluto de vendas e de inserção no imaginário popular. Casas Pernambucanas converteu-se em uma marca poderosa e com presença marcante na vida das famílias brasileiras.

“Seriedade absoluta”, “Onde todos compram”, “Filiais em todo o Brasil” são slogans reconhecidos de um empreendimento que nas décadas de 1940-50 tornou-se a maior rede varejista brasileira.